Andrade Morettin Arquitetos Associados Edifício comercial, São Paulo

Verticalização empilha contêineres coloridos

Com lojas no térreo e conjuntos comerciais nos pisos altos, este edifício se insere na nova face da verticalização da Vila Madalena, bairro da zona oeste paulistana. A novidade não são os prédios de muitos andares, que ali existem há mais de 20 anos e são, na maioria, residenciais. O diferencial é o caráter da arquitetura, que, de certa forma, acompanha a tendência específica de comércio e serviços locais. Desenhada pelo escritório que tem como titulares Vinícius Andrade (FAU/USP, 1992) e Marcelo Morettin (FAU/USP, 1990), a edificação foi encomendada pela Idea!Zarvos.

A gleba escolhida fica no coração do bairro e, como é comum nos empreendimentos locais, surgiu da junção de lotes. Sua geometria final revela conformação incomum, em forma de T e voltada para duas ruas. “Por incrível que pareça, a legislação municipal impede que se abra o prédio para as duas vias”, conta Morettin. Os autores adotaram a frente mais estreita para a entrada do edifício, o que resultou em dois pavimentos térreos, interligados por vazios. O primeiro, mais alto (quase na cota da rua Wisard), é uma espécie de pilotis elevados e abrigará hall de acesso, sala de reuniões coletivas e academia. Parte do piso possui pé-direito duplo, o que dará ao espaço certa monumentalidade. O segundo térreo, mais baixo e próximo ao nível da rua Fidalga (sem acesso), é composto por cinco lojas. “A ideia é que sejam ocupadas por restaurantes e estabelecimentos comerciais”, conta Andrade.

Abaixo desses pisos ficam três níveis de garagem e acima, quatro lajes (mais a de cobertura) com intervalo de pé-direito duplo entre si, destinadas a 18 conjuntos comerciais de tamanhos e formatos diferentes. Assim como nas propostas residenciais da incorporadora, nem os sanitários seguirão um padrão de localização e um pequeno vazio interligará a circulação comum dos diversos andares. “Como nos outros edifícios que eles estão fazendo, a estrutura não traz grandes vãos nem malabarismos”, diz Andrade.

Por fora, as lajes serão demarcadas como elemento vertical do edifício. No espaço destinado aos conjuntos se alternarão planos transparentes (grandes caixilhos com vidro) e opacos (fechamentos com telhas metálicas), conforme a insolação: a face sul, voltada para o acesso, será mais envidraçada, enquanto a fachada norte da lâmina terá caráter mais hermético. Os fechamentos metálicos, coloridos a partir de estudo realizado por João Nitsche, apresentarão as inscrições dos números dos conjuntos. Dessa forma, assemelham-se a contêineres empilhados.

Texto de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 360 Fevereiro de 2010

Fonte: Arcoweb

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