ARQUITETURA FUNCIONAL

Mário Quintana

Para Fernando Corona e Antonieta Barone

Não gosto da arquitetura nova

Porque a arquitetura nova não faz casas velhas.

Não gosto das casas novas

Porque as casas novas não têm fantasmas.

E, quando digo fantasmas, não quero dizer essas assombrações vulgares

Que andam por aí…

É não-sei-quê de mais sutil

Nessas velhas, velhas casas,

Como, em nós, a presença invisível da alma… tu nem sabes

A pena que me dão as crianças de hoje !

Vivem desencantadas como uns órfãos:

As suas casas não tem porões nem sótãos,

São umas pobres casas sem mistério.

Como pode nelas vir morar o sonho ?

O sonho é sempre um hospede clandestino e é preciso

(Como bem sabíamos)

Ocultá-lo das visitas

(Que diriam elas, as solenes visitas ?)

É preciso ocultá-lo das outras pessoas da casa.

É preciso ocultá-lo dos confessores,

Dos professores,

Até dos Profetas

(Os Profetas estão sempre profetizando outras cousas…)

E as casa novas não tem ao menos aqueles longos,

intermináveis corredores

Que a lua vinha às vezes assombrar !

Casarão antigo, em Rancho Queimado-SC.

Crédito: Glacy Weber Ruiz in http://www.weber-ruiz.com.

Residência Sérgio Corrêa da Costa (alterada), Laranjeiras, Rio de Janeiro-RJ; arquiteto Jorge Machado Moreira, 1951-57; paisagismo Roberto Burle Marx.

Crédito: Jorge Machado Moreira. Org. Jorge Czajkowski.
Rio de Janeiro: Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro, 1999.

Fonte: Revista ViverCidades

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